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Transporte marítimo internacional em setembro de 2026: armadores voltam ao Suez serviço a serviço e o fim de ano já pede reserva

O transporte marítimo internacional chega a setembro de 2026 com a volta ao Suez serviço a serviço, Ormuz fechado a navios de container e 11% das viagens Leste-Oeste canceladas até 18 de outubro. Para quem importa e exporta pelo Brasil: o que muda na rota, quanto de folga prever e quais prazos vencem até 30 de dezembro.

Setembro de 2026: armadores voltam ao Suez serviço a serviço, Ormuz segue fechado a navios de container e o calendário regulatório corre até 30 de dezembro.

O transporte marítimo internacional anda em duas velocidades em setembro de 2026. Em 14 de setembro, Maersk e Hapag-Lloyd anunciaram mais quatro serviços pelo Canal de Suez, com primeiras saídas em 19, 21 e 24 de setembro, e o Estreito de Ormuz segue fechado a navios de container desde 28 de fevereiro. Para quem importa da Ásia por Santos, Itajaí ou Paranaguá, a rota não muda: os serviços Ásia–costa leste da América do Sul não usam o Suez.

Resposta curta: em 15 de setembro de 2026, os armadores voltam ao Canal de Suez serviço a serviço. A Gemini (Maersk e Hapag-Lloyd) programou saídas para 19, 21 e 24 de setembro, MSC e CMA CGM retomaram parte dos trânsitos, e Evergreen, ONE, HMM e Yang Ming não tinham voltado ao Mar Vermelho até 14 de setembro, segundo a Linerlytica. Ormuz segue fechado a navios de container desde 28 de fevereiro.

O que mudou no transporte marítimo internacional em setembro de 2026

  • Suez: a Gemini leva AE5, AE11, AE12 e ME2 ao canal (anúncio de 14/9). Encurta a viagem Ásia–Europa; Xangai–Santos não muda.
  • Ormuz: fechado a navios de container desde 28/2; a carga do Golfo depende de frete emergencial e de rotas terrestres.
  • Frete: Xangai–Rotterdam caiu 9,7% em quatro semanas, para US$ 3.997 por container de 40 pés, e Xangai–Los Angeles subiu 17,7%, para US$ 7.352 (Drewry, 10/9; cálculo da CargoDuo).
  • Capacidade: 11% das viagens Leste-Oeste canceladas até 18/10 (Drewry) e confiabilidade de 56,4% em julho (Sea-Intelligence). Conte com atraso e rolagem.
  • Portos brasileiros: 55% dos navios com atraso ou mudança de escala em 2025, segundo boletim citado pelo Cecafé.
  • Prazos: EU ETS em 30/9, Mercosul–EFTA em 1º/10, DI desligada em 1º/12 e EUDR em 30/12.

Os navios já voltaram ao Canal de Suez?

Para a carga que o Brasil importa da Ásia, nada muda: Xangai–Santos não passa pelo canal. O efeito chega por outras vias. Segundo a Drewry, a volta seletiva devolve capacidade à Ásia–Europa e pressiona o frete dessa rota. E navio que sobra numa rota costuma ir para outra. Mudam também serviços e sobretaxas no Mediterrâneo e no Golfo, além da data de chegada dos navios da Ásia aos portos europeus que recebem café e celulose do Brasil.

Pelo anúncio conjunto de 14 de setembro, a Gemini leva ao Suez, nos dois sentidos, o AE5 (Ásia–Norte da Europa), o AE11 e o AE12 (Ásia–Mediterrâneo) e o ME2 (Índia–Europa), que hoje contornam o Cabo da Boa Esperança. As primeiras saídas no sentido oeste estão programadas para 19 de setembro (AE11), 21 (AE5) e 24 (ME2); o AE12 ainda não tem data. As duas empresas condicionam a mudança à estabilidade no Mar Vermelho.

A MSC retomou o canal em parte de quatro serviços Leste-Oeste desde 20 de agosto, segundo aviso noticiado pela World Cargo News, e a CMA CGM ampliou as passagens pelo Suez em 2026, pelos números da Autoridade do Canal de Suez. Evergreen, ONE, HMM e Yang Ming ainda não tinham voltado ao Mar Vermelho em 14 de setembro, segundo a Linerlytica.

A Sea-Intelligence calcula que o Mar Vermelho está 27% normalizado na média de setembro, dado anterior ao anúncio da Gemini (The Loadstar, 14/9). E já houve recuo: em 27 de fevereiro, a Maersk mandou viagens do ME11 e do MECL de volta ao Cabo, citando “restrições imprevistas” (gCaptain). Quem negocia entre a Ásia e a Europa deve pedir por escrito a rota de cada viagem e prometer ao cliente o prazo pelo Cabo até o Suez estar confirmado.

Situação em 15/9/2026. Fontes: Maersk, Linerlytica, World Cargo News e ELWIS/BfG.

Ormuz segue fechado a navios de container desde 28 de fevereiro, e a carga do Golfo depende de relay e de rotas terrestres. Pelo estreito de Bab el-Mandeb passaram em média 212.636 TEU por semana em agosto, cerca de 23% do volume de agosto de 2023, segundo a Xeneta. A Linerlytica calcula que 4,6% da frota mundial ainda contornava o Cabo em 14 de setembro, o menor nível em dois anos.

Como estão o frete e a capacidade antes do 4º trimestre?

O frete se move em direções opostas conforme a rota. No World Container Index da Drewry de 10 de setembro, o composto ficou em US$ 4.476 por container de 40 pés, estável pela segunda semana. Em quatro semanas, Xangai–Gênova caiu 17%, para US$ 4.216, e Xangai–Rotterdam 9,7%, para US$ 3.997, enquanto Xangai–Los Angeles subiu 17,7%, para US$ 7.352 (cálculo da CargoDuo sobre as leituras da Drewry).

Nas semanas 38 a 42, de 14 de setembro a 18 de outubro, o rastreador da Drewry conta 79 blank sailings (viagens canceladas) em 721 saídas Leste-Oeste, ou 11%: 52% no Transpacífico, 33% na Ásia–Europa e Mediterrâneo e 15% no Transatlântico. A rota Ásia–costa leste da América do Sul fica fora dessa conta, então pergunte ao armador, por escrito, se a sua saída está mantida.

A confiabilidade global dos cronogramas caiu para 56,4% em julho, a menor de 2026, com atraso médio de 6,06 dias nos navios atrasados, segundo a Sea-Intelligence; o dado de agosto ainda não saiu. No aéreo, a WorldACD aponta queda de 14% no fluxo China e Hong Kong–Europa em julho e agosto, queda que a consultoria relaciona à tarifa europeia de € 3 por item em encomendas de baixo valor, cobrada desde 1º de julho.

E no Brasil: a saturação chegou à pauta do governo

A capacidade que falta ao exportador também está em terra. Segundo o boletim DTZ citado pelo Cecafé, em 2025 55% dos navios nos portos brasileiros tiveram atraso ou mudança de escala na média mensal, cerca de 602 mil sacas de café (1.824 containers) ficaram sem embarque por mês e os associados pagaram R$ 66,1 milhões a mais em armazenagem, pré-stacking e detention. Em 3 de setembro, o Ministério de Portos e Aeroportos reuniu um grupo de trabalho sobre uma ferramenta de monitoramento da saturação portuária.

E o volume segue alto. O café teve o melhor agosto da história, com 4,155 milhões de sacas (alta de 31%), e Santos embarcou 70,9% do volume de janeiro a agosto (Cecafé). O frango, que embarca em reefer, somou 492,6 mil toneladas em agosto, alta de 24,8% (ABPA).

O que acompanhar na Europa, no Golfo, na Turquia e na Ásia

Europa. Desde 3 de setembro, a União Europeia não aceita frango, carne bovina, ovos, mel e outros produtos de origem animal do Brasil, sem data para a retomada (MAPA e MRE). O café segue em alta e chega a terminais com pátios perto de 90% em Rotterdam e Bremerhaven (Kuehne+Nagel, 2 a 8/9), com o Reno baixo e o EUDR em 30 de dezembro, temas do panorama da exportação para a Europa.

Oriente Médio e Golfo. Com Ormuz fechado, a Maersk cobra frete emergencial de US$ 3.800 por container reefer em boa parte do Golfo e aceita reefer conforme o porto (atualização de 11/9). O panorama de Suez e Ormuz para quem exporta ao Golfo mostra o impacto no frango e na carne bovina e quando a sobretaxa OCR alcança a carga que sai do Brasil.

Turquia. A carne bovina brasileira para a Turquia cresceu 12,9% de janeiro a agosto (ABIEC), e o FAK da CMA CGM saindo da costa leste da América do Sul fica, a partir de 1º de outubro, US$ 750 mais caro para o Mediterrâneo Oriental do que para o Ocidental (Container News, 6/9). O panorama da exportação para a Turquia mostra o que conferir no booking e no caminhão depois de Mersin.

Ásia. Os feriados chineses vão de 25 a 27 de setembro e de 1º a 7 de outubro, e o mais seguro é ter a carga no terminal até 24 de setembro. A conta até Santos, com o desligamento da DI em 1º de dezembro no caminho, está no guia do feriado na China.

Frete. O índice da Drewry, semana a semana, fica no panorama de preços do frete marítimo.

Quais prazos vencem até o fim de 2026?

DataO que mudaQuem é afetadoO que fazer
19–24/9Gemini pelo Suez: AE11 (19/9), AE5 (21/9), ME2 (24/9); AE12 sem dataComércio Ásia/Índia–EuropaReconferir ETA e armazém a cada nova confirmação
30/9EU ETS: armadores entregam licenças de 70% das emissões de 2025Armadores; frete para a EuropaPedir nas concorrências o método da sobretaxa ETS de 2027
1º/10Mercosul–EFTA em vigor com a IslândiaExportadores para a IslândiaConferir regras de origem nos manuais do MDIC
5/10Preço do CBAM do 3º trimestreImportadores europeus de aço, alumínio e outros bens do CBAMAtualizar o custo CBAM com o comprador
1º/11EAN, ISBN e similares obrigatórios no e-commerce de baixo valor na UE; Mercosul–EFTA com a NoruegaVendas on-line para a UE; exportadores para a NoruegaIncluir os códigos na declaração; conferir origem
01/12Desligamento da DI no Siscomex (guia do feriado na China)Importadores que ainda usam a DIConfirmar com o despachante o sistema da declaração
30/12EUDR para grandes e médias empresas (micro e pequenas fora do EUTR: 30/06/2027)Café, soja, carne bovina, cacau, madeira, borracha e dendê para a UEDeixar a geolocalização pronta para a due diligence do importador
Conferido em 15/9/2026 com Maersk, Comissão Europeia, MDIC e Portal Único Siscomex. A programação da Gemini depende da estabilidade no Mar Vermelho.

Ficam fora da tabela, por pesarem menos na carga brasileira: o fim da suspensão das taxas portuárias da Seção 301 nos Estados Unidos em 9 de novembro e o da suspensão chinesa de seis anúncios de controle de exportação em 10 de novembro, ambos sem prorrogação anunciada até 15 de setembro, e a sessão da IMO de 4 de dezembro sobre o Net-Zero Framework, sem obrigação para embarcadores em 2026.

O que fazer ainda em setembro

  1. Até 30/9, compartilhe a previsão do 4º trimestre com armador e agente de carga. Peça por escrito, em cada tarifa all-in, quais sobretaxas valem e desde quando, e ponha no contrato quem paga os dias extras se a viagem voltar ao Cabo.
  2. Peça reefer e equipamento especial já no booking. Para o Golfo, tenha um porto alternativo definido, e confira nas medidas de container o espaço interno real do reefer.
  3. Coloque folga na chegada e no rodoviário. Some ao menos uma semana às chegadas de longo curso da Ásia e mais uma saída semanal se o booking cair em semana com viagem cancelada (cálculo da CargoDuo), e refaça com isso a conta da Black Friday (27/11).
  4. Ponha os prazos da tabela na agenda, do método da sobretaxa ETS à geolocalização que o importador europeu vai pedir para o EUDR.
  5. Planeje a carga antes de reservar. Em semana com viagem cancelada, cada container a mais é mais um booking, mais risco de rolagem e mais demurrage e detention (a sobrestadia do container); nos portos brasileiros, também mais armazenagem e pré-stacking. Um plano de estufagem em 3D feito antes do booking mostra de quantos containers o pedido precisa.

Perguntas frequentes

Os navios já voltaram a passar pelo Canal de Suez em setembro de 2026?

Em parte, e serviço a serviço. Em 14 de setembro de 2026, Maersk e Hapag-Lloyd anunciaram quatro serviços da Gemini pelo Suez, com primeiras saídas em 19, 21 e 24 de setembro. MSC e CMA CGM retomaram parte dos trânsitos desde agosto. Evergreen, ONE, HMM e Yang Ming não tinham voltado ao Mar Vermelho até 14 de setembro, segundo a Linerlytica, e os armadores mantêm planos de contingência pelo Cabo da Boa Esperança.

A volta ao Suez muda o prazo de trânsito da China para o Brasil?

Não. Os serviços entre a Ásia e a costa leste da América do Sul não passam pelo Canal de Suez. O retorno encurta as viagens Ásia–Europa: cerca de 11 dias num serviço típico China–Gênova, segundo a Xeneta (9 de setembro de 2026). No Brasil, o efeito é indireto: capacidade que volta à Ásia–Europa, mudanças de serviços e sobretaxas no Mediterrâneo e no Golfo e novas datas de chegada nos portos europeus.

Quanto de folga colocar no prazo de trânsito neste fim de ano?

Pelo menos uma semana nas chegadas de longo curso da Ásia, mais uma saída semanal se o booking cair em semana com viagem cancelada. É um cálculo da CargoDuo: a Sea-Intelligence mediu confiabilidade global de 56,4% em julho de 2026, com atraso médio de 6,06 dias, e a Drewry contou 79 de 721 viagens Leste-Oeste canceladas entre 14 de setembro e 18 de outubro. Segure caminhão e armazém até a ETA revisada.

Quando reservar o container para a Black Friday e o Natal?

Se a carga sai da China, o container precisa estar no terminal até 24 de setembro de 2026, antes do Meio de Outono (25 a 27 de setembro), e o booking tem de garantir essa saída. A segunda janela vai de 28 a 30 de setembro; depois do Dia Nacional (1º a 7 de outubro), o rodoviário só normaliza entre 8 e 10 de outubro. A Maersk, em atualização de 9 de setembro, recomenda embarcar antes do fim de setembro e prever prazo extra.

Quais regras mudam até o fim de 2026 para quem importa e exporta?

Em 30 de setembro, os armadores entregam as licenças do EU ETS de 70% das emissões de 2025. O Mercosul–EFTA entra em vigor com a Islândia em 1º de outubro e com a Noruega em 1º de novembro. Em 5 de outubro sai o preço do CBAM do 3º trimestre; em 1º de novembro, identificadores de produto viram obrigatórios no e-commerce de baixo valor na UE; em 1º de dezembro, a DI é desligada; e em 30 de dezembro começa o EUDR para grandes e médias empresas.

Fontes: anúncio da Gemini de Maersk e Hapag-Lloyd (14/9/2026; resumo em português na Datamar News); atualizações da Maersk (9/9 e 11/9); Drewry (10/9 e 11/9); Linerlytica (14/9); Sea-Intelligence (26/8 e, via The Loadstar, 14/9); Xeneta (9/9); gCaptain (27/2); World Cargo News (27/8 e 7/9); Autoridade do Canal de Suez via Middle East Observer (23/8); WorldACD (7/9); Container News (6/9); Kuehne+Nagel (2 a 8/9); ELWIS/BfG (15/9); Cecafé (4/9 e 10/9); ABPA e ABIEC (8/9); MAPA e MRE (3/9); MDIC (1º/9); Comissão Europeia; USTR; Portal Único Siscomex. Variações do WCI e folga de uma semana: cálculos da CargoDuo. Atualizado em 15 de setembro de 2026. 15 de setembro de 2026: primeira edição. Se algum dado mudou ou está errado, escreva para a gente e corrigimos.

ESCRITO POR
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Equipe de planejamento de carga
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