O comprimento externo de um container marítimo de 40 pés é 12.192 mm. Esse número está escrito na ISO 668 e a tolerância corre em uma direção só — o container pode ficar 10 mm abaixo dele, nunca um milímetro acima. Já o comprimento interno não aparece na norma como número nenhum.
Resposta curta: um 20' DC mede 5,90 × 2,35 × 2,39 m por dentro (33,2 m³), um 40' DC mede 12,03 × 2,35 × 2,39 m (67,7 m³), um 40' high cube mede 12,03 × 2,35 × 2,70 m (76,3 m³) e um 45' HC mede 13,56 × 2,35 × 2,70 m (86,0 m³). Esses são valores típicos de mercado. O que a ISO garante é um piso abaixo deles, não os números em si.
Toda a confusão com medidas de container cabe nessa frase: por fora é padronizado, por dentro não é, e no peso não existe um teto, existem três. Abaixo, cada número, de onde ele vem e qual deles realmente manda.
Tabela mestra: medidas dos containers dry
| Container | Externa (C × L × A) | Interna (C × L × A) | Cubagem | Porta (L × A) |
|---|---|---|---|---|
| 20' DC | 6,058 × 2,438 × 2,591 m | 5,90 × 2,35 × 2,39 m | 33,2 m³ | 2,34 × 2,28 m |
| 40' DC | 12,192 × 2,438 × 2,591 m | 12,03 × 2,35 × 2,39 m | 67,7 m³ | 2,34 × 2,28 m |
| 40' HC | 12,192 × 2,438 × 2,896 m | 12,03 × 2,35 × 2,70 m | 76,3 m³ | 2,34 × 2,58 m |
| 45' HC | 13,716 × 2,438 × 2,896 m | 13,56 × 2,35 × 2,70 m | 86,0 m³ | 2,34 × 2,58 m |
| 20' HC | 6,058 × 2,438 × 2,896 m | 5,90 × 2,35 × 2,69 m | 37,3 m³ | 2,34 × 2,58 m |
Os mesmos cinco containers, agora pelo lado do peso
| Container | Tara | Carga útil | Peso bruto máx. | Fecha por peso acima de |
|---|---|---|---|---|
| 20' DC | ~2.200 kg | ~28.280 kg | 30.480 kg | 850 kg/m³ |
| 40' DC | ~3.700 kg | 26.780 / 28.800 kg | 30.480 / 32.500 kg | 425 kg/m³ |
| 40' HC | ~3.850 kg | ~28.650 kg | 32.500 kg | 375 kg/m³ |
| 45' HC | ~4.700 kg | ~27.800 kg | 32.500 kg | 325 kg/m³ |
| 20' HC | ~2.140 kg | ~28.340 kg | 30.480 kg | 760 kg/m³ |
Por que a medida externa não é a medida interna
Os nomes dos containers (20 pés, 40 pés, 45 pés) descrevem o comprimento externo fixado pela ISO 668. A medida interna é o que sobra depois de descontar a profundidade da corrugação, os blocos de canto, a estrutura do assoalho e o painel do teto. Onde a perda acontece muda conforme o eixo — e, surpreendentemente, é idêntica em todos os tamanhos:
| Eixo | Perda | Para onde vai |
|---|---|---|
| Comprimento | 16,0 cm (igual em todos os tamanhos) | Painel corrugado da parede frontal e o quadro dianteiro, ~7 cm; as duas folhas de porta, a travessa superior e o conjunto de travamento no lado da porta, ~9 cm |
| Largura | 8,6 cm (cerca de 4,3 cm por lado) | A corrugação trapezoidal de 36 mm de cada parede lateral, o revestimento interno e os blocos de canto, que se projetam ~3 mm além do plano da parede |
| Altura (8'6") | 19,8 cm | Estrutura do assoalho ~17 cm, teto ~2,8 cm |
| Altura (9'6" HC) | 19,6 cm | Mesmo assoalho, mesmo teto — os 30,5 cm extras do high cube vão inteiros para a altura interna |
A relação entre 20 pés e 40 pés também não é coincidência. Os containers curtos são propositalmente fabricados abaixo do comprimento nominal em pés para que dois deles, com uma folga de 76 mm entre si, ocupem exatamente um slot de 40 pés:
2 × 6.058 mm + 76 mm = 12.192 mm (dois de 20 pés = um slot de 40 pés) 4 × 2.991 mm + 3 × 76 mm = 12.192 mm (quatro de 10 pés) 9.125 mm + 2.991 mm + 76 mm = 12.192 mm (um de 30 pés + um de 10 pés)
Daí sai um aviso prático: um container de 20 pés não tem 6,096 m de comprimento. A conversão literal de 20 pés dá 38 mm a mais do que qualquer container real — e esses 38 mm são exatamente metade da folga modular de 76 mm. É o erro numérico mais comum em cálculo de estufagem, e ele dobra quando duas unidades de 20 pés são tratadas como um slot de 40 pés.
Sobre medidas internas, tudo o que a ISO diz é um piso: as dimensões internas devem ser “tão grandes quanto possível”, mas em nenhum caso inferiores aos valores da Tabela 3 — 11.998 mm de comprimento em um 40 pés, 2.330 mm de largura e “altura externa nominal menos 241 mm”. Os containers reais superam esse piso em 3 cm a 4 cm. É por isso que não existe um número padrão único para “o comprimento interno de um 40 pés”; só a Hapag-Lloyd publica três larguras internas diferentes dentro da própria linha de 40' HC. Use o mínimo da ISO quando precisar de uma verificação de encaixe garantida, e a ficha de equipamento do armador quando precisar de taxa de ocupação.
A medida que ninguém confere: a abertura da porta
Não importa quão grande seja a cubagem interna: se a carga não passa pela porta, o container não serve. A abertura da porta é sempre menor que a seção interna, e a perda é assimétrica: quase nada na largura, muito na altura.
| Container | Altura interna | Altura da porta | Perda | Largura interna | Largura da porta | Perda |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 20' DC | 2,39 m | 2,28 m | −11,3 cm | 2,35 m | 2,34 m | −1,2 cm |
| 40' DC | 2,39 m | 2,28 m | −11,3 cm | 2,35 m | 2,34 m | −1,2 cm |
| 40' HC | 2,70 m | 2,58 m | −11,5 cm | 2,35 m | 2,34 m | −1,2 cm |
| 45' HC | 2,70 m | 2,58 m | −11,5 cm | 2,35 m | 2,34 m | −1,2 cm |
| 40' Reefer HC | 2,53 m | 2,54 m | ≈0 | 2,28 m | 2,28 m | ≈0 |
High cube: a economia de 31 centímetros
A única diferença entre um 40' HC e um 40' DC é a altura interna: 2,70 m contra 2,39 m. O piso é idêntico — e é por isso que a quantidade de paletes no chão do container não muda.
| 40' DC | 40' HC | Diferença | |
|---|---|---|---|
| Altura interna | 2,39 m | 2,70 m | +31 cm |
| Cubagem | 67,7 m³ | 76,3 m³ | +8,6 m³ (12,7%) |
| Paletes PBR (1.200 × 1.000 mm) no piso | 21 | 21 | Igual |
| Altura da porta | 2,28 m | 2,58 m | +30 cm |
| Altura máx. do palete para sobrepor duas camadas | ~1,15 m | ~1,30 m | +15 cm |
| Tara | ~3.700 kg | ~3.850 kg | +150 kg |
Para carga leve e volumosa — têxtil, móveis, embalagem, plásticos, brinquedos — não pedir um high cube é perda direta de capacidade. Para carga densa — porcelanato, cerâmica, vidro, metal, químicos — ele não compra absolutamente nada: essas cargas batem no teto de peso muito antes de a cubagem encher, e os 150 kg extras de tara do high cube ainda tiram carga útil de você.
| Densidade da carga | Recomendação | Por quê |
|---|---|---|
| Abaixo de 200 kg/m³ | 40' HC | O volume enche primeiro; os 8,6 m³ extras são ganho puro |
| De 200 a 400 kg/m³ | 40' HC ou DC | Vale calcular; na maioria das vezes o HC ainda ganha |
| Acima de 400 kg/m³ | 40' DC ou carga dividida | O peso enche primeiro; cubagem extra é desperdício |
Reefer: o container mais enganoso da ficha
Em um container refrigerado duas perdas se somam: a unidade de refrigeração na parede frontal e o isolamento de poliuretano em todas as superfícies. O resultado é uma diferença de quase dez metros cúbicos entre dois containers que, por fora, parecem idênticos.
| 40' DC | 40' HC | 40' Reefer HC | Diferença do reefer | |
|---|---|---|---|---|
| Comprimento interno | 12,03 m | 12,03 m | 11,58 m | −45 cm |
| Largura interna | 2,35 m | 2,35 m | 2,28 m | −7 cm |
| Altura interna | 2,39 m | 2,70 m | 2,53 m | −17 cm (vs. HC) |
| Cubagem | 67,7 m³ | 76,3 m³ | 66,7 m³ | −9,6 m³ (12,6%) |
| Tara | ~3.700 kg | ~3.850 kg | ~4.300 kg | +450 kg |
| Peso bruto máximo | 30.480 / 32.500 kg | 32.500 kg | 34.000 kg | +1.500 kg |
O isolamento é mais fino do que a internet acredita: 80 mm no teto, 63,5 mm nas paredes laterais, 74 mm nos painéis de porta. Os famosos “200 mm de isolamento” não podem existir — com 2.280 mm de largura interna dentro de uma casca de 2.438 mm sobram apenas 79 mm por lado, chapa de aço incluída.
Open top, flat rack e hardtop: as medidas da carga OOG
| Equipamento | Medida de carregamento (C × L × A) | Abertura do teto | Tara | Carga útil |
|---|---|---|---|---|
| 20' Open Top | 5,90 × 2,35 × 2,34 m (lateral) | 5,34 × 2,23 m | ~2.400 kg | ~30.100 kg |
| 40' Open Top | 12,03 × 2,35 × 2,34 m (lateral) | 11,55 × 2,22 m | ~3.950 kg | ~26.600 kg |
| 40' HC Open Top | 12,03 × 2,35 × 2,65 m (lateral) | 11,55 × 2,19 m | ~4.250 kg | ~28.250 kg |
| 20' Flat Rack | 5,61-5,64 × 2,23 × 2,22 m | Aberto | ~2.900 kg | 31.260-42.100 kg |
| 40' HC Flat Rack | 11,65 × 2,15-2,37 × 2,25 m | Aberto | ~5.900 kg | 44.050-54.200 kg |
| 40' HC Hardtop | 12,03 × 2,35 × 2,61 m (lateral) | Teto de aço removível | ~5.000 kg | ~27.500 kg |
A faixa de 30 t a 54 t na carga útil dos flat racks não é imprecisão de medição, e sim classes diferentes de estrutura: 34 / 40 / 45 t de peso bruto nas unidades de 20 pés e 50 / 55 / 60 t nas de 40 pés high cube. Esses valores também pressupõem carga distribuída ao longo de todo o comprimento das longarinas laterais; uma carga curta e concentrada reduz o peso admissível conforme o diagrama de carregamento do fabricante. Qualquer coisa acima de 30 t vem de uma subfrota limitada, com ensaio reforçado, e pode esbarrar em restrições de terminal — então precisa ser reservada especificamente.
Uma decisão real: porcelanato de Itajaí para Houston
Uma cerâmica catarinense exporta para o Texas: 20 paletes industriais, cada um com 120 × 100 × 95 cm e 1.300 kg de peso bruto — porcelanato retificado em caixas. São 26.000 kg e 22,8 m³. Como as peças ocupam bastante espaço no palete, a exportadora reserva um 40' high cube por hábito.
A tabela de medidas não diz nada de útil sobre essa carga — a tabela de densidade diz tudo: 26.000 kg em 22,8 m³ dão 1.140 kg/m³, três vezes acima dos 375 kg/m³ em que um 40' HC fecha por peso. O container de 76,3 m³ termina com 29,9% de ocupação de volume — três quartos da cubagem viram ar. E, ao mesmo tempo, ele está em 90,9% dos 28.600 kg de carga útil. A primeira imagem deste artigo é exatamente esse plano, calculado na CargoDuo.
| 1 × 40' HC | 1 × 40' DC | 2 × 20' DC | |
|---|---|---|---|
| Ocupação de volume | 29,9% | 33,7% | 34,4% (cada) |
| Ocupação de peso (sobre a carga útil) | 90,9% | 90,3% | 46,1% (cada) |
| Peso bruto container + carga | 29,9 t | 29,7 t | 15,3 t (cada) |
| PBTC da combinação na estrada | ~42,8 t | ~42,6 t | ~28,2 t (cada) |
| Veredicto | ✅ Legal, mas paga ar | ✅ Legal e mais barato | ✅ Legal, porém dois fretes |
E aqui o Brasil inverte a conclusão que você lê em material europeu ou americano: 26 t de porcelanato cabem em um container e também cabem em um caminhão. Com 48,5 t de PBTC na carreta 3S3, a combinação carregada fica em torno de 42,8 t — quase 6 t de folga. Quem decide, portanto, não é a legislação de trânsito, é a ficha do container e o custo do frete: os 8,6 m³ extras do high cube não fazem nada por essa carga e a tara maior ainda tira 150 kg de carga útil, de modo que o 40' DC faz o mesmo serviço por menos. Dividir em dois containers de 20 pés eleva a ocupação de volume para 34,4% e deixa cada carreta em ~28,2 t, mas custa dois fretes marítimos, duas remoções e dois VGM — no Brasil isso é uma escolha comercial, não uma imposição legal.
Tara, carga útil, peso bruto máximo e VGM: quatro números, quatro significados
| Termo | O que significa | Onde se lê |
|---|---|---|
| Tara | A massa do container vazio | Marcação de porta pela ISO 6346 — não está na placa CSC |
| Carga útil | Máximo de carga líquida = peso bruto máximo − tara | Marcação de porta, porém opcional — alguns containers omitem |
| Peso bruto máximo (MGW) | Teto estrutural do container carregado | Placa CSC e marcação de porta; os dois têm de bater |
| VGM | O peso bruto real, pesado e declarado, de um embarque específico | Na declaração; nunca está marcado no container |
Container estufado sem VGM não embarca. Essa é a regra da SOLAS Capítulo VI, Regra 2 desde 1º de julho de 2016, e a responsabilidade é do embarcador nomeado no conhecimento de embarque — ela não pode ser delegada. Há dois métodos: o Método 1 pesa o container já estufado, o Método 2 soma o peso de tudo que está dentro mais a tara. O Método 2 não é livre: precisa ser certificado e aprovado pela autoridade nacional do local da estufagem, e vários países o restringem a operadores econômicos autorizados. No Brasil os instrumentos de pesagem usados para o VGM seguem a Portaria INMETRO nº 164/2016 — e perder o deadline de VGM significa, na prática, o container ficar no pátio.
Vale matar um mal-entendido difundido: o texto da SOLAS não traz tolerância nenhuma. Os ±5% que circulam pelo mercado são limite administrativo de fiscalização, não margem de precisão, e não amenizam o dever do embarcador de determinar a massa da forma mais exata possível. Não confunda com a tolerância de pesagem em rodovia — os 5% sobre o PBTC e os 12,5% por eixo do Art. 50 da Resolução CONTRAN nº 882/2021 valem para a balança da estrada, e não valem absolutamente nada para o peso bruto máximo do container. Se o terminal repesar, o número do terminal é o que fica.
Guia rápido de escolha
| Sua carga | Container | A medida que decide |
|---|---|---|
| Leve e volumosa (têxtil, móveis, embalagem) | 40' HC | 76,3 m³ de cubagem interna |
| Densa e pesada (porcelanato, vidro, metal) | 20' DC ou carga dividida | Carga útil e distribuição por eixo |
| Com temperatura controlada | 40' Reefer HC | 11,58 m de comprimento interno, linha vermelha |
| Peças longas (tubo, perfil, chapa) | 45' HC | 13,56 m de comprimento interno |
| Peça única com mais de 2,58 m de altura | Open Top | Abertura do teto de 11,55 × 2,19 m |
| Mais larga que 2,34 m ou mais pesada que 30 t | Flat Rack | Vão entre colunas e classe da estrutura |
| Carga OOG que precisa ficar protegida da chuva | Hardtop | Teto de aço removível |
| Carga mista, várias entregas | 40' HC + plano de estufagem por rota | Ordem de desova |
A perna rodoviária: onde o Brasil é a exceção
No mar as medidas de container são padronizadas. No instante em que o container sai do terminal, quem manda é a legislação nacional de trânsito — e é aqui que o material importado engana o leitor brasileiro. Na Europa, a altura de um high cube é um problema de dois centímetros; nos Estados Unidos, o gargalo é peso. No Brasil, a Resolução CONTRAN nº 882/2021 fixa a altura máxima do veículo em 4,40 m (Art. 4º, II) e a largura máxima em 2,60 m (Art. 4º, I, b). Um container ISO tem 2,438 m de largura, então largura nunca é o limite. E a altura, veja você, também não é:
Altura máxima do veículo (Res. CONTRAN 882/2021) 4.400 mm Altura externa do container 40' HC − 2.896 mm Sobra para o plano de apoio do chassi 1.504 mm Semirreboque porta-contêiner, plano a 1.450 mm → 4.346 mm ✅ (54 mm de folga) Semirreboque porta-contêiner, plano a 1.500 mm → 4.396 mm ✅ (4 mm de folga) Semirreboque porta-contêiner, plano a 1.550 mm → 4.446 mm ⚠️ exige AET Para comparar: container 40' DC (2.591 mm) a 1.500 mm → 4.091 mm ✅ (31 cm de folga)
Ou seja: no Brasil o high cube não é um problema de altura e não exige chassi rebaixado nem túnel gooseneck — os 4,40 m absorvem os 2,896 m do container com sobra que na Europa simplesmente não existe. Mas a folga não é infinita: com plano de apoio a 1,50 m o total fica a 4 mm do limite, então confirme a altura do plano de apoio do equipamento com o transportador antes de fechar a remoção, porque a margem se conta em milímetros, não em centímetros. E, se a combinação passar de 4,40 m, o Brasil ainda tem uma saída que nenhum outro grande mercado oferece: a Resolução CONTRAN nº 564/2015, Art. 6º, permite o trânsito de veículos transportadores de contêineres com altura superior a 4,40 m e até 4,60 m mediante AET (Autorização Especial de Trânsito), com validade máxima de um ano, emitida pelo órgão com jurisdição sobre a via. A mesma resolução cria a categoria VPC (Veículo Porta-Contêiner), exige dispositivos de fixação certificados pelo INMETRO e a placa de identificação obrigatória.
| Brasil | União Europeia | Estados Unidos | |
|---|---|---|---|
| Altura máxima | 4,40 m (Res. CONTRAN 882/2021, Art. 4º, II) | 4,00 m na prática (a Alemanha fixa em lei no §32 da StVZO) | Sem limite federal; 4,115 m (13'6") na maioria dos estados do leste |
| 40' HC no chassi padrão | Passa com folga; nenhum chassi especial exigido | Apertado: exige chassi gooseneck para ficar perto de 3,98 m | Passa: ~1,17 m de plano + 2,896 m ≈ 4,07 m |
| Peso bruto máximo da combinação | 48,5 t na carreta 3S3 de 6 eixos; até 58,5 t sem AET em outras configurações | 44 t em transporte combinado com container ISO de 40 pés; 40 t nos demais casos | 36.287 kg (80.000 lb) no sistema interestadual |
| Alívio específico para container | AET de 4,40 m a 4,60 m só para veículos porta-contêineres (Res. 564/2015) | A própria permissão de 44 t é o alívio específico | 28 estados tratam o container lacrado como carga indivisível e autorizam acima do limite |
| Limites por eixo | 6 t (eixo isolado 2 pneus), 10 t (4 pneus), 17 t (tandem duplo), 25,5 t (tridem de semirreboque) | 10 t no eixo simples não motriz, 11,5 t no motriz, 24 t no tridem | 9.072 kg no eixo simples, 15.422 kg no tandem, mais a Federal Bridge Formula |
O que ainda pega é o eixo, e por isso a distribuição da carga dentro do container importa mais aqui do que o total. Um container de 20 pés estufado com 26 t senta inteiro sobre o tridem traseiro da carreta: o conjunto de três eixos em tandem do semirreboque fecha em 25,5 t (Art. 6º, VII), então carga densa concentrada no lado da porta estoura o eixo mesmo com o PBTC folgado. É exatamente o caso de porcelanato, granito, chapa e vergalhão — espalhe a carga por todo o assoalho no plano de estufagem em vez de empilhar em um terço do container. Vale lembrar também que o Art. 5º manda prevalecer sempre o menor limite: o peso bruto máximo do container, o PBT do chassi definido pelo fabricante, a CMT do cavalo mecânico e o teto do CONTRAN empilham-se, e quem governa é o menor deles. Um transportador que anuncia “48,5 t” pode estar limitado por uma CMT bem menor.
A escala disso tudo: os portos brasileiros movimentaram 15,3 milhões de TEU em 2025, alta de 10,2% sobre 2024, sendo 10,4 milhões de TEU em longo curso e 4,8 milhões em cabotagem; o complexo de Santos liderou com 4.051.281 TEU. Cada um desses containers, mais cedo ou mais tarde, encontra uma carreta, um tridem e a balança da rodovia.
Conclusão: a tabela de medidas é um ponto de partida, não uma decisão
Conhecer as medidas de container é necessário, mas não é suficiente. A medida externa é padronizada e não se discute; a interna oscila alguns centímetros conforme armador, série e ano de fabricação; a abertura da porta é 11 cm a 12 cm menor que o interior; e no peso a ficha de equipamento, a placa CSC e a legislação de trânsito fixam três tetos independentes. A pergunta que interessa é outra: em que arranjo, com que distribuição de peso e em quantas viagens a sua carga entra dentro dessas medidas?
Perguntas frequentes
Quais são as medidas internas de um container de 20 pés?
Cerca de 5,90 × 2,35 × 2,39 m, o que dá 33,2 m³ de cubagem. A abertura da porta é de 2,34 × 2,28 m, a tara fica em torno de 2.200 kg e a carga útil em torno de 28.280 kg. Por fora, a ISO 668 fixa 6,058 × 2,438 × 2,591 m — e não os 6,096 m que saem da conversão literal de 20 pés.
Quais são as medidas internas de um container de 40 pés?
Um 40' DC tem 12,03 × 2,35 × 2,39 m por dentro, ou 67,7 m³. O 40 pés high cube sobe a altura interna para 2,70 m e chega a 76,3 m³. Os dois compartilham o mesmo comprimento externo de 12,192 m e exatamente a mesma área de piso; a única diferença são 30,5 cm de altura.
Qual é o tamanho da abertura da porta de um container?
Cerca de 2,34 m de largura por 2,28 m de altura nos containers padrão de 20 e 40 pés, subindo para 2,58 m de altura nos high cube de 40 e 45 pés. A porta é sempre 11 cm a 12 cm mais baixa que a altura interna porque a travessa superior e a soleira ocupam esse espaço; na largura a perda é de apenas 1 cm a 2 cm.
O peso bruto máximo do container é 30.480 kg ou 32.500 kg?
Os dois valores estão em circulação, e por isso o número que vale é o da placa CSC daquele container específico. A ISO 668 permite 36.000 kg para todas as classes de 20, 30, 40 e 45 pés desde a emenda de 2022, mas os armadores certificam 30.480 kg no equipamento antigo e 32.500 kg na produção moderna; 36.000 kg praticamente não se vê na frota dry comercial.
Por que um container reefer leva menos carga?
A unidade de refrigeração consome cerca de 45 cm da parede frontal e o isolamento de poliuretano tira 63,5 mm de cada parede lateral e 80 mm do teto. Um reefer high cube de 40 pés mede 11,58 × 2,28 × 2,53 m, o que dá 66,7 m³ — aproximadamente 9,6 m³ (12,6%) a menos que um high cube dry do mesmo comprimento. E como nada pode ser estufado acima da linha vermelha de carga, na prática planeje com 85% a 90% da cubagem de catálogo.
O container de 20 pés high cube existe de verdade?
Existe — a ISO 668:2020 o designa 1CCC, com 6,058 × 2,438 × 2,896 m e cerca de 37,3 m³ por dentro. Mas ele praticamente não aparece nas frotas de leasing dos armadores; pertence ao mercado de venda e conversão. A própria ISO explica o motivo em nota: é difícil executar um túnel gooseneck em um container de 20 pés, e sem ele um 20' HC sobre chassi reto estoura o limite de altura rodoviária de vários países.
Onde se lê a tara e a carga útil de um container?
Nas marcações ISO 6346 estampadas na porta. MAX GROSS e TARE são obrigatórias ali; PAYLOAD é opcional, e quando falta você subtrai a tara do peso bruto máximo. A placa CSC não traz a tara — ela lista apenas o peso bruto máximo de operação, a carga de empilhamento admissível e a força do ensaio de racking. A tara varia de 100 kg a 600 kg dentro de uma mesma série, então use o número do container real.
Container high cube pode rodar no Brasil sem AET?
Pode, e com folga. A altura máxima é 4,40 m pela Resolução CONTRAN nº 882/2021: descontados os 2,896 m de altura externa do 40' HC, sobram 1,504 m para o plano de apoio do chassi, e um semirreboque porta-contêiner comum fica entre 1,45 m e 1,50 m — total de 4,35 m a 4,40 m. Diferente da Europa, não é preciso chassi gooseneck. Confirme a altura do plano de apoio com o transportador, porque a 1,50 m a folga é de milímetros; e se a combinação passar de 4,40 m, a Resolução CONTRAN nº 564/2015 permite circular até 4,60 m com AET, exclusivamente para veículos transportadores de contêineres.
As medidas externas, as tolerâncias e os mínimos internos vêm da ISO 668:2020 (incluindo a Amd 1:2022) e da ISO 1496-1:2013; as medidas internas, aberturas de porta, taras e cargas úteis vêm das fichas de equipamento publicadas por Maersk, Hapag-Lloyd, CMA CGM, ONE e Evergreen; as marcações de peso na porta, da ISO 6346; o conteúdo da placa CSC, do Anexo I da Convenção Internacional sobre a Segurança dos Contêineres de 1972; a obrigação de VGM, do Capítulo VI, Regra 2 da SOLAS, da MSC.1/Circ.1475 e, no Brasil, da Portaria INMETRO nº 164/2016; os limites rodoviários de altura, largura, eixos, PBTC e tolerâncias, da Resolução CONTRAN nº 882, de 13/12/2021 (que revogou a Resolução nº 210/2006), e a AET de 4,40 m a 4,60 m para veículos porta-contêineres, da Resolução CONTRAN nº 564, de 25/11/2015; a movimentação portuária de 2025, da ANTAQ. Os arranjos de 20 paletes e as taxas de 29,9% / 90,9% / 34,4% / 46,1% são saídas reais de planos de carregamento rodados na CargoDuo. As medidas internas das tabelas são nominais e carregam tolerância de fabricação de ±10 mm; quando o milímetro importa, confirme os números daquele container com o seu armador.