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Quantos paletes cabem em uma carreta? 28, 30 ou 24

Três números decidem uma carreta, e eles apertam na ordem inversa da que todo mundo cita. O assoalho dá 28 paletes PBR. Os 33.000 kg de carga útil derrubam esse número. E o limite por eixo derruba de novo — com a combinação ainda quase 4 t abaixo do PBTC, só por causa de onde os paletes estão parados.

28 paletes PBR num assoalho de 14,80 m: treze fileiras de dois atravessados e uma última virada, 14,20 m de 14,80 m ocupados — e o conjunto de tração já em 106,4% do limite

Pergunte a um embarcador quantos paletes cabem em uma carreta e ele responde 28. Pergunte ao vendedor da carreta e ele responde 28 também — o número está no anúncio, porque no Brasil o equipamento é vendido assim. Os dois estão certos, e nenhum dos dois respondeu quantos paletes você vai conseguir carregar.

Resposta curta: uma carreta sider de 3 eixos, com 14,80 x 2,50 x 2,70 m internos, leva 28 paletes PBR (1.200 x 1.000 mm) em uma única camada no assoalho — 30 numa vanderleia e apenas 24 se o palete for carregado de enfiada em vez de atravessado. O mercado escreve pallet, palet e palete; a grafia correta é palete, e é a que usamos aqui.

Depois disso as restrições chegam na ordem inversa da que todo mundo cita. O assoalho dá 28. A carga útil derruba esse número. E o peso por eixo derruba de novo — com a combinação ainda quase 4 t abaixo do PBTC, só por causa de onde os paletes estão parados.

Resultado real da CargoDuo. Os 28 paletes PBR entram no assoalho de 14,80 m: treze fileiras de dois atravessados e uma última fileira virada, 14,20 m dos 14,80 m ocupados. E o painel ao lado já mostra o conjunto de tração em 106,4% do limite.

A resposta curta, em uma tabela

PaleteMedidasNa larguraFileirasPor carretaAssoalho ocupado
Palete PBR (atravessado)1.200 x 1.000 mm2142890,8%
Palete PBR (de enfiada)1.200 x 1.000 mm2122477,8%
Padrão bebidas1.250 x 1.050 mm2142899,3%
Palete PBR na vanderleia1.200 x 1.000 mm2153094,1%
PBR empilhado em dois níveis1.200 x 1.000 mm214 x 256 posições
Contas para um assoalho de 14,80 x 2,50 m — a carreta sider de 3 eixos que o mercado anuncia como “28 paletes”. Os 30 da vanderleia vêm dos 15,30 m de comprimento interno, e os 28 do padrão bebidas são o arranjo publicado pela Facchini (1.050 x 1.250 mm, invertidos). As 56 posições empilhadas são derivadas, não anunciadas, e só existem se a carga tiver no máximo 1,30 m de altura.

O que cabe dentro de uma carreta sider

A carreta sider de 3 eixos mede 14,80 x 2,50 x 2,70 m por dentro — comprimento x largura x altura. As fontes divergem alguns centímetros: a Facchini de 28 paletes aparece com 14,75 m, a tabela de carrocerias do Guia de Logística traz 14,86 x 2,51 m e a própria página da Randon publica comprimentos de 14,60 m a 16,40 m conforme a configuração de eixos. Nada disso muda a contagem. De 14,60 m a 14,86 m são sempre 14 fileiras, sempre 28 paletes. O que muda de ficha para ficha é a tara — e, com ela, a carga útil.

A largura é o número que decide tudo e o mais mal citado. 2,44 m não é medida de carreta: 2.438 mm é a largura interna de um container marítimo ISO, e ela vaza para artigos sobre caminhão o tempo todo. A carreta sider trabalha com 2,50 m internos, e o teto legal do veículo é 2,60 m pelo Art. 4º, inciso I, da Resolução CONTRAN nº 882/2021. É a mesma diferença entre o nominal e o real que mapeamos para as caixas em medidas de container.

ConfiguraçãoInterno C x L x APBTC (Art. 6º)Carga útilPaletes PBR no assoalho
Carreta sider 3 eixos, cavalo 6x214,80 x 2,50 x 2,70 m48,5 t~33.000 kg28
Carreta sider 3 eixos, cavalo 4x214,80 x 2,50 x 2,70 m41,5 t~27.000 kg28
Carreta vanderleia15,30 x 2,50 x 2,70 m48,5 a 54,5 t, conforme os eixosconforme a tara30
Bitrem 7 eixosduas unidades, 19,80 m no total57 tconforme a tarapeça o comprimento interno de cada unidade
Rodotrem / bitrem 9 eixosaté 30 maté 74 t, só com AETconforme a taraidem — e o trânsito é do amanhecer ao pôr do sol (Art. 20)
Carga útil é PBTC menos a tara do conjunto. Usamos 15.500 kg para a combinação de cavalo truckado 6x2 (8.300 kg) com sider de 3 eixos (7.200 kg) e cerca de 14.500 kg para o conjunto com cavalo 4x2 — a tara varia bastante entre assoalho de madeira e de alumínio, e é ela, não o anúncio, que define quanto você leva. Na vanderleia a tabela sobe porque os eixos são distanciados, mas o limite que vale continua sendo o menor entre tabela, soma dos eixos e CMT do cavalo. Não publicamos contagem de palete para bitrem e rodotrem porque os fabricantes não divulgam o comprimento interno de cada unidade; os números que circulam vêm de release, não de ficha técnica.

Os paletes que decidem a conta

PaleteMedidasNa carreta de 14,80 x 2,50 mOnde ele manda
PBR / PBR-11.200 x 1.000 mm2 x 14 = 28O padrão brasileiro — fabricação na ABNT NBR 9192 e NBR 9193, versão plástica na NBR 16242
Padrão bebidas1.250 x 1.050 mm2 x 14 = 28Cerveja e refrigerante; 2 x 1.250 = 2.500 mm, encaixe exato
Palete americano1.219 x 1.016 mm2 x 14 = 28Exportação e algumas cadeias automotivas (48 x 40 pol.)
Europalete / EPAL 11.200 x 800 mm3 x 12 = 36Importação e fluxo interno de multinacionais — é ele que faz o artigo estrangeiro dizer 33
Palete asiático1.100 x 1.100 mm2 x 13 = 26Japão, China e Coreia
Palete australiano1.165 x 1.165 mm2 x 12 = 24Austrália (AS 4068)
Meio palete800 x 600 mm3 x 24 = 72Varejo, display e entrega fracionada
A ISO 6780 reconhece seis pegadas de palete — 1.200x1.000, 1.200x800, 1.100x1.100, 1.067x1.067, 1.219x1.016 e 1.165x1.165 mm — e a brasileira é a primeira delas. Repare na única linha que faz três na largura: o europalete. É por isso que os números estrangeiros não servem aqui. As contagens desta coluna que não são o PBR e o padrão bebidas são derivadas da geometria, não práticas de mercado no Brasil.

O lado de 800 mm do europalete não é acaso histórico: três deles lado a lado dão 2.400 mm e entram em qualquer baú europeu com folga. O PBR foi desenhado em outro mundo. O menor lado dele tem 1.000 mm, e três pedem 3.000 mm — mais do que os 2,50 m internos de qualquer carreta brasileira e mais do que os 2,60 m de largura máxima que o Art. 4º admite para o veículo. Com palete PBR, o assoalho brasileiro tem sempre exatamente dois paletes de largura. Toda diferença de capacidade vem do comprimento, e por isso a capacidade anda de dois em dois: 24, 28, 30. Nunca de um em um.

De onde vêm 28, 30 e 24

As quatro contas, na íntegra
PBR ATRAVESSADO   largura       2 x 1.200 = 2.400 mm   (2.500 disponíveis)
                  comprimento   14.800 / 1.000 = 14,80  ->  14 fileiras
                  2 x 14 = 28 paletes, sobram 800 mm de comprimento

PBR DE ENFIADA    largura       2 x 1.000 = 2.000 mm   (500 mm jogados fora)
                  comprimento   14.800 / 1.200 = 12,33  ->  12 fileiras
                  2 x 12 = 24 paletes  ->  quatro a menos, mesmo assoalho

VANDERLEIA        comprimento   15.300 / 1.000 = 15,30  ->  15 fileiras
                  2 x 15 = 30 paletes

PADRÃO BEBIDAS    largura       2 x 1.250 = 2.500 mm   (encaixe exato)
                  comprimento   14.800 / 1.050 = 14,09  ->  14 fileiras
                  2 x 14 = 28 paletes

Dados 28 paletes PBR e uma carreta sider de 14,80 m, o algoritmo de carregamento da CargoDuo devolve exatamente o arranjo do pátio: treze fileiras de dois atravessados e uma última fileira virada de enfiada, 28 posicionados e nenhum sobrando, com 14,20 m dos 14,80 m ocupados. Ele chega ao mesmo número que está no anúncio da carreta, só pela geometria.

A 15ª fileira é um degrau, não uma rampa

É aqui que a intuição erra. Comprimento não compra palete de forma contínua. Uma carreta de 14,60 m dá 14 fileiras. Uma de 14,80 m dá 14 fileiras. Uma de 14,86 m dá 14 fileiras. Os 800 mm que sobram no assoalho de 14,80 m não servem para nada, porque o menor lado do PBR tem 1.000 mm. A 15ª fileira só aparece quando o comprimento interno cruza os 15,00 m — e aí a carreta deixa de ser uma sider padrão e passa a ser uma vanderleia, com 15,30 a 15,40 m e eixos distanciados.

E a largura nunca socorre. Depois dos dois paletes atravessados sobram 100 mm; o terceiro pediria mais 1.000 mm. Não existe arranjo misto, palete virado ou fileira alternada que resolva isso, porque tudo o que sobra no assoalho é menor do que o menor lado do palete: 100 mm de largura e 800 mm de comprimento, contra um mínimo de 1.000 mm. Numa carreta brasileira, 28 não é uma média otimista — é o teto do assoalho, e ele se atinge com folga.

A carga útil acaba antes do assoalho

Divida a carga útil real pelo número de posições e a conversa muda de assunto na hora: 33.000 ÷ 28 = 1.178 kg por palete. O palete PBR de madeira já pesa de 23 a 35 kg antes de receber qualquer coisa. Acima dessa média, a carreta fecha o peso com posição vaga no assoalho — e é o caso da maior parte do frete que roda pela BR-381. É a mesma armadilha da perna marítima, que levantamos em quantos paletes cabem em um container.

As mesmas 28 posições, agora com cimento ensacado: 40 sacos de 50 kg, 2.035 kg por palete PBR. A CargoDuo coloca 16 na primeira carreta — 32.560 kg contra 33.000 kg de carga útil — e manda os outros 12 para uma segunda. Doze posições ficam vazias num caminhão cheio, e o conjunto de tração ainda marca 169,2%. O assoalho nunca foi o limite.
Peso médio por paletePaletes até fechar o pesoPosições ocupadasQue carga é essa
400 kg28 (11,2 t — o peso nem chega perto)28 de 28Embalagem, plástico, papel, espuma
800 kg28 (22,4 t)28 de 28Mercearia seca, higiene e limpeza
1.178 kg28 exatos (33,0 t)28 de 28O ponto de equilíbrio
1.500 kg2222 de 28Bebida em vidro, conserva, tinta, óleo em lata
2.035 kg1616 de 28Cimento ensacado, argamassa, piso cerâmico
Calculado sobre os 33.000 kg de carga útil de uma carreta sider de 3 eixos com cavalo truckado 6x2 (PBTC de 48,5 t menos 15,5 t de tara). Acima de mais ou menos 1.178 kg por palete, cada quilo a mais custa uma posição de assoalho e a carreta sai do pátio com a traseira visivelmente vazia. Com cavalo 4x2 o PBTC cai para 41,5 t, a carga útil para cerca de 27.000 kg, e a linha do cimento cai de 16 para 13 paletes.

O limite que aperta primeiro

Estar dentro do PBTC não é o mesmo que estar legal. A Resolução CONTRAN nº 882, de 13 de dezembro de 2021, fixa no Art. 6º os limites por eixo, e cada um vale por si: 6 t no eixo isolado de dois pneus (inciso II), 10 t no eixo isolado de quatro pneus (inciso III), 17 t no conjunto de dois eixos em tandem (inciso V) e 25,5 t no tridem de semirreboque (inciso VII). Some a sua combinação e você encontra o PBTC de verdade: 6 + 17 + 25,5 = 48,5 t com cavalo truckado 6x2; 6 + 10 + 25,5 = 41,5 t com cavalo 4x2. A tabela do inciso I diz 54,5 t para uma carreta de tandem triplo com mais de 16 m — e o parágrafo único do Art. 2º manda obedecer o menor dos limites. Quem vende capacidade pelo número da tabela promete 6 t que o conjunto truckado não tem, e 13 t que o 4x2 não tem.

O resto é braço de alavanca. Todo quilo à frente do tridem passa pelo pino-rei e cai no conjunto de tração do cavalo; todo quilo junto à porta senta no tridem. Carregue para a frente e estoura o tandem; carregue para trás e estoura o tridem. E aqui o Brasil tem uma regra que muda a conversa: pela Lei nº 7.408/1985, Art. 1º, § 1º, com a redação da Lei nº 14.229/2021, combinações com peso bruto total (PBT) ou combinado (PBTC) regulamentar igual ou inferior a 50 t são fiscalizadas apenas quanto ao peso total na balança — e a carreta de 41,5 t ou 48,5 t está abaixo dessa linha. Isso não desliga o eixo; apenas muda onde ele cobra. Mola, pneu e rolamento nunca leram a Lei da Balança.

28 paletes de refrigerante, 29.120 kg espalhados por igual: o grupo do cavalo — exibido como Front e limitado a 17.000 kg porque é o eixo de tração — marca 102,2%.

É essa a falha, num resultado real do aplicativo, na volta de Jundiaí para Belo Horizonte. Vinte e oito paletes padrão bebidas a 1.040 kg — 29.120 kg de carga, 44.620 kg de PBTC, quase 4 t abaixo do limite — distribuídos em 14 fileiras de dois pelo assoalho inteiro. A CargoDuo lê o conjunto de tração em 17.374 kg contra 17.000 kg: 102,2%, com o tridem em 84,6%. Não há nada de pesado nessa carga. Ela está no lugar errado.

A mesma carga replanejada com o limite por eixo ligado: 95,9%. O acerto custou um palete — 27 na primeira carreta, 1 na segunda.

Agora a mesma carga com o limite por eixo ligado no cálculo. A CargoDuo leva massa para o tridem e devolve 16.295 kg no conjunto de tração, 95,9%, com o tridem em 84,9%. A diferença entre irregular e conforme foram 1.079 kg de momento — e um palete. Os 28 não cabiam: cabiam 27. Essa é a capacidade honesta desta carga, e ela aparece no escritório, não na balança.

Os mesmos paletes, dois planos

LeituraCarga espalhadaPlano com limite por eixoDiferença
Paletes na primeira carreta2827-1
Peso da carga29.120 kg28.080 kg-1.040 kg
PBTC44.620 kg43.580 kg-1.040 kg
Conjunto de tração (17.000 kg)17.374 kg (102,2%)16.295 kg (95,9%)-1.079 kg
Tridem do semirreboque (25.500 kg)21.581 kg (84,6%)21.650 kg (84,9%)+68 kg
SituaçãoDentro do PBTC, fora do eixoDentro dos dois

Nem todo acerto custa palete. Volte ao carregamento do começo do artigo — 28 paletes PBR de ração a 1.020 kg, 28.560 kg de carga, 44.060 kg de PBTC — em que o conjunto de tração aparecia em 106,4%. Com o limite por eixo ligado, a CargoDuo mantém os 28 na mesma carreta e resolve tudo no arranjo.

Os mesmos 28 paletes, o mesmo peso, nenhuma posição perdida. O algoritmo escalona as fileiras e leva carga para trás até ocupar os 14,80 m inteiros: conjunto de tração de 106,4% para 96,7%, tridem de 79,6% para 86,2%. O plano de carregamento mudou; a nota fiscal, não.

É esse o argumento inteiro para planejar assoalho e eixo na mesma passada. Às vezes o acerto sai de graça, como aqui; às vezes custa um palete, como nas bebidas — e um palete é um telefonema chato. Um eixo estourado descoberto num posto de pesagem do DNIT na BR-381 é retenção do veículo e transbordo obrigatório da carga excedente (CTB, Art. 231, inciso V). E a conta não para no motorista: pelo Art. 257 do CTB, o excesso por eixo é sempre do transportador (§ 5º), enquanto o excesso de PBTC é do embarcador quando ele é o único remetente e a nota declara peso menor do que o aferido (§ 4º) — ou dos dois, solidariamente, quando a própria nota já declara acima do limite legal (§ 6º). Embarcador, aqui, é o remetente ou expedidor da carga “mesmo se o frete for a pagar” (Resolução 882, Art. 56). A Turquia acaba de escrever divisão parecida no seu código de trânsito: as faixas estão no nosso texto sobre as multas de excesso de peso na Turquia.

Empilhar: quando dobra e quando não

Duas camadas de 1,30 m cabem sob um teto de 2,70 m, então “28 vira 56” é geometricamente verdadeiro. Também é, para quase todo frete brasileiro, impossível no peso. Espalhe os 33.000 kg de carga útil por 56 posições e cada uma recebe 589 kg, palete incluído. E repare na altura da carga dos nossos exemplos: 1,50 m. Duas camadas dão 3,00 m contra um teto de 2,70 m — nem começa. Empilhar é jogada de cubagem, não de peso: embalagem vazia, espuma, papel, plástico, têxtil, descartáveis.

A regra de pátio vem antes da conta. Só recebe segunda camada o que é estruturalmente empilhável: carga em caixa fechada, paletes de mesma pegada, camada de cima mais leve que a de baixo. Saco de cimento, tambor, bobina e engradado de vidro não recebem; palete quebrado, muito menos. E a segunda camada mexe no eixo, porque 1.000 kg colocados perto do fundo não caem no mesmo eixo que 1.000 kg colocados no meio. Se a decisão de empilhar entra depois do cálculo de eixo, ela desfaz o cálculo.

Lei da Balança: a tolerância de 5% não é margem de carregamento

Duas frases da Resolução 882 valem o artigo inteiro, e quase ninguém as cita. A primeira está no Art. 50, § 3º: “No carregamento dos veículos, a tolerância máxima prevista neste artigo não pode ser incorporada aos limites de peso previstos em regulamentação do CONTRAN.” Os 5% sobre o PBTC e os 12,5% por eixo são critério de fiscalização — margem de erro da balança, não margem de carga. A segunda está no Art. 49, § 3º: quando a fiscalização é feita pelo peso declarado na nota fiscal, no CT-e ou no MDF-e, ela pode acontecer a qualquer tempo e em qualquer lugar, “não sendo admitida qualquer tolerância sobre o peso declarado”. Quem carrega duas toneladas a mais e declara certo na nota não tem 5% de folga: tem uma confissão documentada.

PBT / PBTCPeso por eixoPeso declarado na nota
Tolerância na pesagem5% (Res. 882, Art. 50, I)12,5% (Art. 50, II)Nenhuma (Art. 49, § 3º)
Serve como margem de carga?Não (Art. 50, § 3º)Não (Art. 50, § 3º)Não
Quem responde pela multaEmbarcador (CTB, Art. 257, § 4º) ou solidário (§ 6º)Transportador (§ 5º)Embarcador, quando único remetente (§ 4º)
Tolerância de pesagem e limite de carregamento são grandezas diferentes: a primeira existe porque a balança erra, a segunda é o que você pode pôr dentro da carreta. E transbordo não é remanejamento — tirar o excedente do veículo e redistribuir a carga dentro dele são medidas distintas no Art. 52, para problemas distintos.

Cubagem: 99,9 m³ e o que ela esconde

Cubagem, assoalho e o buraco entre os dois
CUBAGEM DO BAÚ     14,80 x 2,50 x 2,70 = 99,9 m3

PALETE PBR         1,20 x 1,00 x 1,50 = 1,80 m3
28 paletes         28 x 1,80 = 50,4 m3   ->  50,45% de 99,9 m3

PALETE BEBIDAS     1,25 x 1,05 x 1,45 = 1,90 m3
28 paletes         28 x 1,90 = 53,3 m3   ->  53,34%

ASSOALHO           14,80 x 2,50 = 37,0 m2
28 paletes PBR     28 x 1,20 = 33,6 m2   ->  90,8% do assoalho

Os dois números medem coisas diferentes, e o pátio confunde os dois todo dia. Com as 28 posições cheias, o assoalho está 90,8% ocupado e a cubagem marca 50,45% — foi exatamente o que a CargoDuo devolveu no primeiro plano deste artigo. Não há meia carreta sobrando: o que sobra é o ar acima dos paletes, e ele só vira carga se a mercadoria aceitar segunda camada. É por isso que o Brasil cota cubagem e contagem de paletes em vez do metro linear europeu — o metro linear pressupõe um assoalho de três paletes de largura que aqui não existe. Se o seu problema é converter volume em peso taxável, a fórmula está no nosso guia de cálculo de cubagem (CBM).

Antes de fechar o frete

Cinco conferências que evitam a conversa na balança
  • Peso médio por palete contra os 1.178 kg de referência — acima disso, planeje com menos de 28 posições.
  • Limite regulamentar tomado pelo menor valor entre a tabela de PBTC, a soma dos eixos e a CMT do cavalo (Res. 882, Art. 2º, parágrafo único).
  • Conjunto de tração e tridem calculados separadamente, e não deduzidos do peso total.
  • Nenhuma margem tirada dos 5% de tolerância — ela é da balança, não sua (Art. 50, § 3º).
  • Peso declarado na nota fiscal, no CT-e e no MDF-e igual ao que foi efetivamente carregado: sobre o declarado não existe tolerância nenhuma (Art. 49, § 3º).

Conclusão: a contagem é a parte fácil

28 paletes PBR na carreta sider, 30 na vanderleia, 24 se carregar de enfiada. Esses números levam dez segundos e uma trena. O que exige julgamento são as três perguntas seguintes: quanto pesa o palete médio, onde a massa senta no assoalho e quanto cada eixo lê quando ela senta ali. Carreta legal nas três é resultado de planejamento, não hábito de carregamento.

Perguntas frequentes

Quantos paletes cabem em uma carreta?

28 paletes PBR em uma única camada, dois na largura por 14 fileiras, num assoalho de 14,80 x 2,50 m. É o número com que o equipamento é anunciado — “Carreta Sider 28 Paletes” — e o mesmo a que o algoritmo de carregamento da CargoDuo chega sozinho, só pela geometria. Numa vanderleia, com 15,30 m internos, entra uma 15ª fileira e o total vai a 30.

Por que não cabem três paletes na largura?

Porque o menor lado do palete PBR tem 1.000 mm e três deles pedem 3.000 mm. A largura interna da carreta é 2,50 m e a largura máxima do veículo é 2,60 m pelo Art. 4º, inciso I, da Resolução CONTRAN nº 882/2021 — nenhum dos dois chega perto. O europalete tem lado de 800 mm e três dão 2.400 mm, e é exatamente por isso que os artigos estrangeiros falam em 33 paletes: eles descrevem outro palete e outro caminhão.

Quantos paletes cabem em um caminhão?

Depende do veículo, mas a conta é sempre a mesma: com palete PBR o assoalho tem dois de largura, e o número de fileiras é o comprimento interno do baú dividido por 1.000 mm, arredondado para baixo. Peça o comprimento interno ao transportador em vez de aceitar um número de catálogo — um toco (rígido de 2 eixos, PBT 16 t), um truck (rígido de 3 eixos, PBT 23 t) e uma carreta de 2 eixos (PBTC 33 t) têm baús de comprimentos muito diferentes, e quem decide a contagem é o comprimento.

Quanto pode pesar cada palete?

Cerca de 1.178 kg em média se você carregar 28, considerando 33.000 kg de carga útil — PBTC de 48,5 t de uma carreta sider de 3 eixos com cavalo truckado 6x2, menos 15,5 t de tara do conjunto. Com cavalo 4x2 o PBTC cai para 41,5 t e a média cai para cerca de 964 kg. Acima disso o peso fecha a carreta antes do assoalho, e ela sai com posições vazias.

Um caminhão dentro do PBTC pode estar irregular no eixo?

Pode, e é comum. PBTC e peso por eixo são limites independentes. No nosso exemplo real, uma combinação com 44.620 kg — quase 4 t abaixo dos 48,5 t — leu 17.374 kg no conjunto de tração contra um limite de 17.000 kg, ou 102,2%, só porque os 29.120 kg de carga estavam espalhados por igual pelo assoalho. Abaixo de 50 t a balança fiscaliza apenas o peso total (Lei nº 7.408/1985, Art. 1º, § 1º), mas o dever por eixo continua com o transportador (Res. 882, Art. 51) e a fiscalização por eixo volta, cumulativamente, se os 5% de tolerância do PBTC forem ultrapassados (Art. 50, § 2º).

Quais são os limites de peso por eixo no Brasil?

Pela Resolução CONTRAN nº 882/2021, Art. 6º: 6 t no eixo isolado de dois pneus, 10 t no eixo isolado de quatro pneus, 12 t no conjunto de dois eixos direcionais, 15 t no conjunto de dois eixos não em tandem, 17 t no conjunto de dois eixos em tandem e 25,5 t no tridem, aplicável somente a semirreboque. A soma desses limites é que dá o PBTC real da combinação: 41,5 t com cavalo 4x2, 48,5 t com cavalo truckado, 54,5 t com dois eixos direcionais. E o parágrafo único do Art. 2º manda obedecer sempre o menor limite entre a tabela, os eixos, o fabricante e a CMT.

Quanto custa a multa por excesso de peso?

É infração de natureza média: valor-base de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH, mais um acréscimo por cada 200 kg ou fração de excesso, conforme a faixa do Art. 231, inciso V, do CTB — R$ 5,32 até 600 kg, R$ 10,64 de 601 a 800 kg, R$ 21,28 de 801 a 1.000 kg, R$ 31,92 de 1.001 a 3.000 kg, R$ 42,56 de 3.001 a 5.000 kg e R$ 53,20 acima de 5.001 kg. Um excesso de 3.000 kg cai na faixa dos R$ 31,92, dá 15 frações, R$ 478,80 de acréscimo, e R$ 608,96 no total — mais retenção do veículo e transbordo obrigatório do excedente. Não existe teto: as frações continuam somando.

Quem paga a multa: o embarcador ou o transportador?

Depende do que estourou. Pelo Art. 257 do CTB, o excesso por eixo é sempre do transportador (§ 5º). O excesso de peso bruto total é do embarcador quando ele é, ao mesmo tempo, o único remetente da carga e declarou na nota peso inferior ao aferido (§ 4º), e é solidário entre transportador e embarcador quando o peso declarado já supera o limite legal (§ 6º). Embarcador, para esse efeito, é o remetente ou expedidor da carga, mesmo se o frete for a pagar (Res. 882, Art. 56). E se o infrator não for identificado e o veículo pertencer a pessoa jurídica, lavra-se nova multa ao proprietário no valor do dobro da original (§ 8º).

Medidas internas da carreta sider a partir de anúncios de revenda de unidades Randon e Facchini de 28 paletes e da tabela de carrocerias do Guia de Logística (14,86 x 2,51 m); a página oficial da Randon publica comprimentos de 14,60 m a 16,40 m e PBTC de 41,5 t e 48,5 t para a configuração de 3 eixos, mas não as medidas internas nem a tara — confirme a ficha técnica do equipamento que você vai contratar, porque a tara varia bastante entre assoalho de madeira e de alumínio, e é ela que define a carga útil. As contagens de 28 e 30 paletes não mudam em nenhum ponto dessa faixa de comprimento; só a carga útil muda. O arranjo de 28 paletes do padrão bebidas (1.050 x 1.250 mm, invertidos) é o publicado pela Facchini; as medidas do palete PBR e as normas de fabricação, da ABNT NBR 9192 e NBR 9193, com a versão plástica na NBR 16242. Limites de peso e de dimensões, tolerâncias, remanejamento, transbordo e cálculo da multa: Resolução CONTRAN nº 882, de 13 de dezembro de 2021 (Art. 2º, 4º, 6º, 18, 20 e 49 a 57). Tolerâncias de pesagem e a regra das 50 t: Lei nº 7.408, de 25 de novembro de 1985, com a redação da Lei nº 14.229/2021. Infração, penalidade e responsabilidade: Lei nº 9.503/1997 (CTB), Art. 231, inciso V, Art. 257, §§ 4º a 8º, e Art. 258, inciso III. Toda leitura da CargoDuo citada aqui é resultado real do aplicativo, reproduzível com os mesmos dados.

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CargoDuo Team
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