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Canal de Suez e Estreito de Ormuz em setembro de 2026: o que muda para quem exporta frango e carne bovina ao Golfo

Canal de Suez e Estreito de Ormuz em setembro de 2026: Ormuz segue fechado a navios de container, e a Maersk passou a aceitar reefer para o Golfo porto a porto. Quem exporta frango e carne bovina do Brasil precisa nomear o porto de descarga, somar as sobretaxas de outubro e embarcar cheio cada reefer aceito.

Ormuz fechado a navios de container desde 28 de fevereiro de 2026, armadores voltando ao Suez serviço a serviço e Jeddah com o recorde de 540.107 TEUs em julho.

O Estreito de Ormuz segue fechado a navios de container desde 28 de fevereiro de 2026, e a volta ao Canal de Suez em setembro de 2026 acontece serviço a serviço, sem nova escala em porto saudita. Para quem exporta frango e carne bovina do Brasil ao Golfo, o que mudou foi o reefer: pelo aviso da Maersk de 11 de setembro, o aceite agora é decidido porto a porto.

Resposta curta: em 15 de setembro de 2026, a Maersk suspende reefer para Dammam, Jubail e King Abdullah Port, aceita os Emirados só por Khor Fakkan (importação) ou Jebel Ali via ponte terrestre e não lista Jeddah. Em Jeddah, a carga leva de 10 a 12 dias para sair do porto depois da descarga (Expeditors, 2 de setembro). Para carga do Brasil em contrato, a sobretaxa OCR de US$ 500 da Maersk começa em 9 de outubro (Emirados) e em 11 de outubro (Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque).

O que mudou até 15 de setembro

  • Ormuz: fechado a navios de container desde 28 de fevereiro, com nível de ameaça “severe” mantido pelo Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC) em 1º de setembro. Não conte com a passagem no 4º trimestre.
  • Reefer: a Maersk suspende Dammam, Jubail e King Abdullah Port e não lista Jeddah (11 de setembro). Peça o aceite por escrito.
  • Jeddah: espera mediana de 2,2 dias para atracar (Portcast, 6 a 12 de setembro) e de 10 a 12 dias para sair depois da descarga (Expeditors, 2 de setembro). Reserve o caminhão antes da atracação.
  • Demanda: em agosto, Emirados e Arábia Saudita compraram 44.279 t e 35.195 t de frango brasileiro, altas de 35,9% e 29,9% (dados da ABPA divulgados pela ANBA). É mais reefer indo para os portos onde o aceite está racionado.

Canal de Suez e Estreito de Ormuz: quais rotas funcionam em setembro de 2026?

Com Ormuz fechado, a carga para dentro do estreito termina de caminhão. Segundo a Maersk, os Emirados recebem carga só por Khor Fakkan ou por Jebel Ali via ponte terrestre; Dammam, Jubail e Iraque seguem suspensos; e Kuwait, Catar e Bahrein recebem por transbordo em Salalah ou Khor Fakkan, sem passar por Jeddah.

No Mar Vermelho, a Lloyd's List Intelligence acompanha desde 20 de julho uma ameaça a navios ligados à Arábia Saudita e informou em 6 de agosto que a área de risco do Joint War Committee passou a cobrir Jeddah e Yanbu. Pergunte ao seu seguro de carga, por escrito, se a apólice cobre Jeddah.

Pelo Suez, Jeddah recebe desde 10 de agosto o AE19, da Maersk com a Hapag-Lloyd. Os quatro serviços Gemini anunciados em 14 de setembro ligam a Ásia à Europa, não escalam porto saudita e, segundo os armadores, dependem da estabilidade no Mar Vermelho. Não são a rota de quem embarca de Paranaguá ou Santos. Detalhes no panorama global do transporte marítimo em setembro.

Quanto tempo a carga leva para sair de Jeddah e dos outros portos do Golfo?

Jeddah movimentou o recorde de 540.107 TEUs em julho (números da Mawani no Arab News, 12 de agosto), enquanto o total dos portos sauditas caiu 17,5%: o porto ficou com cerca de 90% da carga do país (cálculo da CargoDuo). A espera mediana para atracar foi de 2,2 dias (Portcast, 6 a 12 de setembro); sair leva de 10 a 12 dias depois da descarga (Expeditors, 2 de setembro). Sem norma de mercado para free time no país, negocie demurrage e detention para pelo menos duas semanas.

King Abdullah Port marca 0,08 dia na Portcast, mas está congestionado e com pouca capacidade rodoviária, segundo a Expeditors; Dammam marca 0,06 dia porque as novas chegadas pararam. Nos Emirados, Khor Fakkan virou o gargalo, com espera mediana de 6,16 dias, e a Maersk já descarrega parte dessa carga em Fujairah.

Quais regras e sobretaxas valem para embarcar ao Golfo?

No aviso operacional 46 da Maersk, de 11 de setembro, a regra muda por carga. Seca: Jeddah e King Abdullah Port aceitos. Reefer: suspenso para Dammam, Jubail, King Abdullah Port, Kuwait, Catar, Bahrein, Iraque e Jordânia, e para os Emirados, exceto Khor Fakkan (importação) e Jebel Ali via ponte terrestre. Perigosa: Jeddah só para consignatário local. Fora de gabarito (OOG): suspensa em todos os portos sauditas.

O frete emergencial da Maersk vai de US$ 1.800 (20 pés seco) a US$ 3.800 (reefer), para Emirados, Dammam, Jubail, Kuwait, Catar, Bahrein, Iraque e Omã (exceto Salalah), mais US$ 1.000 por trânsito em Ormuz. A sobretaxa OCR, de US$ 500 por container em contratos, começa para o Brasil, origem regulada, em 9 e 11 de outubro. Segundo a CMA CGM, via Container News (6 de setembro), seu FAK de carga seca do Brasil (exceto Nordeste) ao Oriente Médio a partir de 1º de outubro é de US$ 7.230 no 20 pés, US$ 2.865 acima do Mar Vermelho (cálculo da CargoDuo).

Na Arábia Saudita, manifesto e declaração aduaneira vão pelo FASAH antes da chegada desde 29 de outubro de 2025 (regra da ZATCA), com pelo menos 72 horas de antecedência para quem vem de porto distante, pelo aviso da ONE. Na estrada, o peso bruto máximo é de 21, 34, 42 e 45 t para caminhões de 2 a 5 eixos, com multa de SAR 200 por 100 kg de excesso.

Há espaço em armazém na Arábia Saudita até o fim do ano?

Pouco. A JLL mediu ocupação acima de 90% em Riad, Jeddah e Dammam no 2º trimestre de 2026 e espera ocupação alta no curto e médio prazo. Não há dado público sobre câmaras frias: pergunte ao importador quando ele vai desovar o reefer, porque espaço frio lotado é container parado no porto.

Quantos paletes cabem num reefer de 40 pés para o Golfo?

Com o aceite racionado, cada reefer liberado precisa sair cheio. Um caso comum no Paraná: 20 paletes PBR de frango congelado halal, 120 x 100 x 190 cm e 950 kg cada, não empilháveis, de Paranaguá para Jeddah num container reefer 40' HC de 1.157,8 x 228,0 x 252,5 cm por dentro (medidas internas dos containers). Rodamos a carga duas vezes no software de planejamento de carga 3D da CargoDuo.

Plano A, paletes girados: filas de 9 e de 11, 20 de 20 posicionados, 19,00 t e 68,41% de volume.

No Plano A, o algoritmo de carga pode girar os paletes: uma fila leva 9 com o lado de 120 cm no comprimento, a outra leva 11 com o lado de 100 cm, e na largura 100 + 120 cm ocupam 220 dos 228 cm. No Plano B, com todos no mesmo sentido, as duas filas levam 9 e dois paletes ficam de fora.

Plano B, mesmo sentido: 18 posicionados, 17.100 kg, 61,57% de volume e 2 artigos não posicionados.
Reefer 40' HC, paletes PBRPlano B: mesmo sentidoPlano A: paletes giradosDiferença
Paletes posicionados18 de 2020 de 20+2
Peso embarcado17.100 kg19.000 kg+1.900 kg
Volume ocupado61,57%68,41%+6,84 p.p.

Dois paletes a mais são 11% a mais de carga por tomada, por container e por relógio de demurrage. Com o reefer aceito porto a porto, é o plano que decide se os paletes 19 e 20 embarcam agora ou esperam o próximo booking. Para outros equipamentos, veja quantos paletes cabem em um container.

O que isso muda nos seus embarques

Corredor ou portoSituaçãoJanela de impactoO que fazer
Jeddah (importação)Atracação em 2,2 dias (Portcast, 6–12/9); 10–12 dias em terra (Expeditors, 2/9)Chegadas até outubroFASAH 72 h antes do ETA; caminhão antes da atracação; free time de 2 semanas
Reefer, Arábia SauditaMaersk suspende Dammam, Jubail e King Abdullah Port; Jeddah fora das listas (11/9)Desde 11/9Aceite em Jeddah por escrito, armador por armador
Reefer, EmiradosMaersk: Khor Fakkan ou Jebel Ali via caminhão (11/9); espera de 6,16 dias em Khor Fakkan (6–12/9)Setembro e outubroNomear porto e trecho rodoviário; aceitar troca para Fujairah
Sobretaxas Maersk, origem BrasilFrete emergencial de US$ 3.800 por reefer; OCR de US$ 500 em contratoOCR em 9/10 (Emirados) e 11/10 (Bahrein, Catar, Kuwait, Iraque)Linhas próprias no custo total posto no destino
Situação em 15 de setembro de 2026. Regras e sobretaxas citadas são da Maersk.
  1. Desde já: peça o aceite do reefer por escrito, porto a porto, antes de confirmar a venda. A “atenção especial” que a Maersk promete a alimentos e perecíveis não garante espaço.
  2. Antes de 9 de outubro: lance frete emergencial e OCR como linhas próprias no custo total posto no destino e revise os contratos CFR.
  3. Carga já no mar: decida devolução ou troca de destino antes de o container chegar à região e a mais de 72 horas da descarga, ou a Maersk cobra a taxa emergencial de Ormuz.
  4. Antes da Saudi Food Show (27 de setembro): feche Incoterm com porto nomeado, como CFR Jeddah, e tenha por escrito a resposta do seguro de carga sobre risco de guerra.

O que acompanhar até meados de outubro

  • 19 a 24 de setembro: primeiras saídas dos serviços Gemini pelo Suez. Se algum voltar a desviar, valem de novo os tempos de trânsito pelo Cabo da Boa Esperança, como em fevereiro de 2026.
  • 27 a 29 de setembro: Saudi Food Show em Jeddah, com ABIEC, ApexBrasil e dez empresas brasileiras de carne bovina. A Arábia Saudita comprou 50 mil t de carne bovina do Brasil de janeiro a agosto, alta de 24,9% (ABIEC).
  • 1º, 9 e 11 de outubro: novo FAK da CMA CGM e início da OCR da Maersk para carga do Brasil.

Na mesma série: exportação para a Europa e exportação para a Turquia em setembro de 2026.

Perguntas frequentes

O Estreito de Ormuz está aberto ou fechado para navios de container hoje?

Fechado. Em 15 de setembro de 2026, o Estreito de Ormuz segue fechado a navios de container, como desde 28 de fevereiro, e o Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC) manteve a avaliação de ameaça em “severe” em 1º de setembro. A rota temporária anunciada em 26 de agosto não tem data de início.

Posso embarcar frango congelado em reefer para Dammam ou para Jeddah agora?

Para Dammam, na Maersk, não: o aviso de 11 de setembro de 2026 suspende reefer para Dammam, Jubail e King Abdullah Port. Jeddah não aparece entre os portos suspensos nem entre os aceitos, então peça o aceite por escrito antes de confirmar a venda. Outros armadores têm regras próprias.

Quanto tempo o container está levando para sair do porto de Jeddah?

De 10 a 12 dias depois da descarga, segundo aviso do agente de carga Expeditors de 2 de setembro de 2026. Atracar é mais rápido: mediana de 2,2 dias entre 6 e 12 de setembro, pela Portcast. Planeje free time e armazenagem para pelo menos duas semanas.

A sobretaxa OCR da Maersk vale para carga que sai do Brasil?

Vale, com data própria. A OCR custa US$ 500 por container em bookings de contrato e, como o Brasil é origem regulada, começa em 9 de outubro de 2026 para os Emirados e em 11 de outubro para Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque. Ela se soma ao frete emergencial.

Fontes: Maersk (9, 11 e 14/9/2026), Lloyd's List Intelligence (julho e agosto), JMIC (1º/9), Portcast (6 a 12/9), Expeditors (2/9), Mawani via Arab News (12/8), ZATCA e ONE (2025), Autoridade Geral de Estradas (2024), JLL (2º trimestre), CMA CGM via Container News (6/9), ABPA e ABIEC (8/9). Atualizado em 15 de setembro de 2026. 15 de setembro de 2026: primeira edição. Viu algo que mudou? Escreva para a gente e corrigimos.

ESCRITO POR
CargoDuo Team
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